Viradeira vs Quinadeira

Viradeira vs Quinadeira

Artigo escrito por Tiago C. Silva – tiagosilva@sucorema.pt

Existe um certo desconhecimento sobre o tipo de máquina que é a viradeira e seu funcionamento em comparação à tradicional máquina de dobragem, as quinadoras. Neste artigo pretende-se descrever as vantagens que as Viradeiras podem oferecer numa oficina de trabalho de chapa.

Tome nota que as viradeiras e quinadoras podem e devem coexistir, mas no caso de um investimento inicial, vamos mostrar os pontos onde a Viradeira torna-se num equipamento totalmente diferenciador e competitivo.

 

O Contexto

A viradeira usa o conceito de dobragem de material a partir da ferramenta avental que produz uma rotação sobre o material que está preso pelo o calcador. Este tipo de estratégia permite trabalhar sobre superfícies delicadas não danificando o produto, como é o caso das chapas mais finas (0,5 a 0,8mm) e lacadas. Não obstante, os modelos VH da Stefa podem trabalhar com espessuras mais grossas disponibilizando modelos até 3mm de espessura.

Viradeira Stefa de 12m e modelo 3mm espessura

A juntar a isso, uma enorme característica a favor são os longos comprimentos de trabalho que podem ser alcançados numa viradeira. Os modelos Viradeira Stefa VH abrangem comprimentos de 4m até 12m. Algo que numa quinadora, tendo em conta a sua construção mecânica, acarreta muitos custos numa fase inicial (ignorando os consumos energéticos posteriores), tornando-se impossível atingir o ponto de retorno do investimento para muitas empresas. Além que as viradeiras ocupam um espaço reduzido na sua profundidade permitindo uma poupança de área e altura, em comparação com as quinadoras.

 

Velocidades de Produção

A viradeira pode não ser o equipamento mais rápido para dobragem de chapas, mas para pequenas e médias produções é certamente o mais eficiente e produtivo. Numa viradeira os tempos de configuração de ferramentas são bastante reduzidos porque não tem punções nem matrizes. Torna-se bastante fácil ao operador começar a operar com a máquina e obter um excelente produto acabado. Estas características colocam a máquina ideal para realizar muitos perfis em pequenos lotes.

 

Diversos perfis que podem ser executados numa viradeira

 

Graças à profundidade de trabalho que as viradeiras conseguem obter (no caso da viradeira Stefa até 1070mm) torna-se muito mais acessível manusear chapas largas. Realizar o posicionamento é uma tarefa descomplicada porque a parte larga da chapa está em apoio sobre tabuleiros e “dentro” da máquina, libertando o operador de certos movimentos de fadiga.

Exemplo de um ‘esmagamento’ aberto realizado na Viradeira

O tempo de aprendizagem também é menor. Independentemente da espessura do material, raio, ângulo ou qualidade da chapa, não existe uma necessidade de pré-configuração de ferramentas numa viradeira. O não uso de ferramentas evita custos de manutenção e compra de novas. E por defeito, o formato do calcador permite executar redondos, esmagamentos, dobragens tipo ‘lágrima’ ou dobragens abertas – tipo de trabalhos que só é possível executar numa quinadora com ferramentas especificas.

 

O verdadeiro elemento diferenciador: a Guilhotina incorporada

Além das vantagens referidas anteriormente, a Viradeira dá um passo à frente com a sua guilhotina incorporada (equipamento de série nas Viradeiras Stefa VH). A utilidade de ter o corte sobre todo o comprimento da máquina permite uma enorme flexibilidade porque num só equipamento consegue ter duas funções que tradicionalmente encontram-se em dois equipamentos distintos. As vantagens da guilhotina incorporada são redução de custos na logística das peças, evitando o tempo de preparar a guilhotina para corte e depois posterior transporte do material para a quinadora. Nem sequer equacionando custos de manutenção e energéticos habitualmente associados às guilhotinas. A tecnologia incorporada de dois discos laminares faz que o corte seja suave e livre de rebarbas.

Corte em espessura de 3mm.

 

Comando CNC e Segurança

Tendo a conta as oficinas multifacetadas em que as viradeiras estão inseridas, o comando CNC permite outra abordagem do operador às necessidades do dia a dia. Diversas vezes que se depara da situação em que o cliente vem diretamente obra para pedir um perfil especial com certa urgência; O operador facilmente consegue ir ao material das sobras, buscar uma ponta de chapa, realizar corte e posterior dobragem numa questão de poucos minutos. Com um comando CNC este processo torna-se mais rápido; com o simples dedo desenhamos o perfil – quase como num desenho de papel – visualizamos a sequência automaticamente gerada e está pronto a produzir. O cálculo de desenvolvimento do material é realizado automaticamente e operador fica livre de se preocupar com as correções necessárias.

Desenhar perfil com o dedo

A viradeira é uma máquina de baixa probabilidade de acidente para o operador. A ausência de regulamentação para a Viradeira permite ao cliente poupar custos em lasers de segurança que normalmente são dispendiosos (como equipamento opcional para as viradeiras Stefa); o que não invalida que a maquina seja segura: os seus sistemas de segurança asseguram que o operador está sempre em alerta a possíveis esmagamentos e ferimentos – não permite movimentos automáticos sem a autorização do operador.

 

Conclusão

As viradeiras nunca irão substituir outros equipamentos de deformação como as quinadoras ou perfiladoras mas pode ser uma opção de sucesso numa oficina de produções multifacetadas.  São máquinas tradicionalmente presentes na Europa central e do norte; e tendo em conta o perfil industrial e flexível destes países, a sua popularidade está a ser incrementada na europa do sul, mercados que ainda desconhecem este tipo de equipamento.

 

Peça mais informações sobre a Viradeira Stefa em sucorema@sucorema.pt.

Tiago Silva
tiagosilva@sucorema.pt